Artigos escritos durante o mês de: setembro 2014

O CEGO DE JERICÓ – Caminho, Verdade e Vida – Cap 44 – Emmanuel – Chico Xavier

28 set / 2014
Escrito por Alan Diniz

“Dizendo: Que queres que te faça? E ele respondeu: — Senhor, que
eu veja.” — (LUCAS, capítulo 18, versículo 41.)
O cego de Jericó é das grandes figuras dos ensinamentos evangélicos.
Informa-nos a narrativa de Lucas que o infeliz andava pelo caminho, mendigando… Sentindo a aproximação do Mestre, põe-se a gritar, implorando misericórdia.
Irritam-se os populares, em face de tão insistentes rogativas. Tentam
impedi-lo, recomendando-lhe calar as solicitações. Jesus, contudo, ouve-lhe a súplica, aproxima-se dele e interroga com amor:
— Que queres que te faça?
Á frente do magnânimo dispensador dos bens divinos, recebendo liberdade tão ampla, o pedinte sincero responde apenas isto:
— Senhor, que eu veja!
O propósito desse cego honesto e humilde deveria ser o nosso em todas as circunstâncias da vida.
Mergulhados na carne ou fora dela, somos, às vezes, esse mendigo de Jericó, esmolando às margens da estrada comum. Chama-nos a vida, o trabalho apela para nós, abençoa-nos a luz do conhecimento, mas permanecemos indecisos, sem coragem de marchar para a realização elevada que nos compete atingir. E, quando surge a oportunidade de nosso encontro
espiritual com o Cristo, além de sentirmos que o mundo se volta contra nós, induzindo-nos àindiferença, é muito raro sabermos pedir sensatamente.
Por isso mesmo, é muito valiosa a recordação do pobrezinho mencionado no versículo de Lucas, porqüanto não é preciso compareçamos diante do Mestre com volumosa bagagem de rogativas. Basta lhe peçamos o dom de ver, com a exata compreensão das particularidades do caminho evolutivo. Que o Senhor, portanto, nos faça enxergar todos os fenómenos e situações, pessoas e coisas, com amor e justiça, e possuiremos o necessário à nossa alegria
imortal.

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Um pouco mais

28 set / 2014
Escrito por Geraldo de Tarso

Quase sempre não avaliamos, com precisão, a nossa situação espiritual.
Ao longo das muitas vidas, o olhar humano se habituou a observar somente o que se passa fora do corpo físico, na busca ininterrupta das imagens, da luminosidade e das cores que movimentam o mundo exterior.
Todas essas conquistas visuais trouxeram uma riqueza de informações à nossa Casa Mental, ajudando a escrever a história evolutiva da alma humana. Entretanto, existe uma outra realidade da vida, intangível ao toque das mãos, imperceptível aos sentidos humanos, que pulsa soberana numa outra dimensão da existência.
Precisamos devassar essa outra realidade, mergulhar nessa outra dimensão, para ver e sentir a realidade desses universos paralelos, transmudando o sentido do olhar humano.
Se a visão humana se fundamenta na percepção das radiações luminosas do mundo físico, a ciência espírita nos instrui sobre a existência de uma outra realidade visual, que utiliza recursos e percepções de um cérebro espiritual, que anima o cérebro físico através de impulsos e energias que sustentam sua complexa atividade neuronal.
Essa outra visão, de amplitude grandiosa e ainda muito pouco conhecida pela mente humana, nos permite olhar e ver uma outra vida, utilizando recursos e percepções que registram imagens e formas de uma outra realidade existencial, não subordinada aos estreitos limites da matéria conhecida.
De posse dessas informações, então, poderemos compreender que o homem pode olhar para si mesmo de uma forma diferente, ver e entender melhor a sua própria realidade espiritual, para vivificar mais as suas eventuais virtudes e esmiuçar, mais profundamente, os seus arrastamentos.
Nesse contexto do conhecimento, poderemos compreender que necessitamos melhorar a nossa vida mental, disciplinar os nossos comportamentos, espiritualizar os nossos condicionamentos e, finalmente, entender que necessitamos estar mais próximos de Jesus.
Esse trabalho de redenção se processa na intimidade de cada um, no “esforço iluminativo para o interior, sem o qual homem algum penetrará o santuário da Verdade Divina”. Necessitamos, urgentemente, realizar esses vasto “Programa de Transformação Essencial para a união com o Cristo”.
Todos nós podemos mais… Podemos crer um pouco mais… Podemos fazer um pouco mais… Podemos ver um pouco mais. Basta deixar que a sensibilidade se apresente livre das conveniências, retire o espesso véu do orgulho que lhe impede a clara visão, e lhe direcione o olhar para a realidade do Espírito.

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HERESIAS – Caminho, Verdade e Vida – Emmanuel – Chico Xavier

7 set / 2014
Escrito por Alan Diniz

“E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.”
Paulo (I CORÍNTIOS, 11: 19) 

Recebamos os hereges com simpatia, falem livremente os materialistas, ninguém se insurja contra os que duvidam, que os descrentes possuam tribunais e vozes.
Isso é justo. Paulo de Tarso escreveu este versículo sob profunda inspiração. Os que condenam os desesperados da sorte não ajuízam sobre o amor divino, com a necessária compreensão. Que dizer­-se do pai que amaldiçoa o filho por haver regressado a casa enfermo e sem esperança?
Quem não consegue crer em Deus está doente. Nessa condição, a palavra dos desesperados é sincera, por partir de almas vazias, em gritos de socorro, por mais dissimulados que esses gritos pareçam, sob a capa brilhante dos conceitos filosóficos ou científicos do mundo. Ainda que os infelizes dessa ordem nos ataquem, seus esforços inúteis redundam a benefício de todos, possibilitando a
seleção dos valores legítimos na obra iniciada. Quanto à suposta necessidade de ministrarmos fé aos negadores, esqueçamos a presunção de satisfazê-­los, guardando conosco a certeza de que Deus tem muito a dar­-lhes. Receba-mo-­los como irmãos e estejamos convictos de que o Pai fará o resto.

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Uma Doutrina em expansão

7 set / 2014
Escrito por Geraldo de Tarso

            Um aspecto muito interessante do Espiritismo é a sua apresentação como uma Doutrina inacabada, ou seja, em seu início formou-se uma sólida base filosófica, uma expressiva experimentação científica, em profunda comunhão com os avanços de sua época, e se lançou ao mundo inteiro disposta aos estudos, às comparações e às pesquisas sérias e comprometidas com a verdade, que lhe complementassem os primeiros conceitos.

O espiritismo está aberto aos canais científicos de toda ordem, e até lhe propõe estudos comparados, pesquisa conjuntas e resgates históricos, em busca de uma maior compreensão, para ampliar o entendimento da vida.

Tais disposições sobressaem quando sabemos que Allan Kardec se deteve a examinar com responsabilidade os fenômenos intrigantes e desconhecidos daqueles sensitivos, desenvolvendo uma observação metódica e atenta daquelas manifestações. Entendendo as particularidades dessas percepções, evoluiu para uma situação onde percebeu, estudou e compreendeu algumas das leis naturais, que regulam e ordenam o binômio Espírito-Corpo. Pelo exercício da observação criteriosa, pelas análises críticas de todos os fatos mediúnicos e pelas comparações das ideias e conceitos emitidos pelos Espíritos pode, então, organizar e coordenar um corpo de Doutrina científica e filosófica,  fruto de uma pesquisa séria e continuada. Entregou ao mundo uma Doutrina em expansão.

De 1857 a 1869 (desencarnação de Allan Kardec) a Doutrina Espírita se apresentou pronta para ser conhecida pelo mundo, mas ainda inacabada em suas observações e pesquisas. Se declarou  aberta para a ciência, buscou-a e propôs parcerias. Aprofundou os conceitos filosóficos do Ser, do Destino e da Dor, quebrando paradigmas seculares e mergulhou na história para trazer a luz do passado para a vivência do presente.

Allan Kardec foi chamado de o bom senso encarnado,  por razões evidentes e óbvias. O que encanta e convence, é a postura idônea do Professor Rivail (Allan Kardec) que se coloca num plano inferior ao bom senso e à lógica das ideias. Não há interesse em se destacar nem de uma, nem de outra forma. O próprio Kardec dá um destaque aos conceitos lógicos e racionais, expõe sua preocupação quanto ao entendimento das leis naturais que organizam a realidade de nossa existência terrena, comparando-a com a realidade de uma outra dimensão da vida. Deixa claro, que nossas opiniões pessoais devem estar subordinadas aos conceitos maiores da vida.

Nosso maior esforço nesse momento, é entender o pensamento de Kardec. Nesse intuito é que acreditamos existir leis evidentes no universo, inteligentes em suas execuções e desdobramentos, que não estão subordinadas ao acaso das forças químicas e físicas. Observando-as com atenção e o cuidado científico pertinente, observaremos uma razão inteligente que rege, silenciosa e soberana, a vida nas várias dimensões do cosmo.

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