Quando se lê com atenção o capítulo VI do livro “A Gênese”, de Allan Kardec, fica patente o interesse do texto em fazer o leitor mergulhar nos conceitos científicos da Química e da Física.

Junto a tais considerações científicas, percebe-se que todas essas ilações estão direcionadas a nos fazer entender que toda a realidade física que nos cerca é produto final de reações químicas, num jogo de forças, de atrações e repulsões, que a Física também pode justificar.

Esses escritos estão contidos num livro, cujo interesse essencial é desvendar os mistérios da vida, em sua origem, em suas modificações e adaptações. Tais textos também buscam aproximar o conhecimento humano da origem divina de cada um de nós.

É a abordagem da Química e da Física, aproximando-as de uma causa maior, de forças gravitacionais aparentemente subordinadas às forças de atração molecular, mas que exteriorizam consequências inteligentes em suas manifestações orgânicas.

Tudo parece caminhar para uma transformação. Tudo muda, tudo é passageiro, e até aquilo que parece definitivo, terá um dia, que se modificar também, obedecendo ao determinismo das transformações e do progresso. A Transitoriedade é uma lei invariável, onde tudo existe subordinado a uma força inteligente que coordena e mantém a vida.

E nós, apagados seres que aqui vivemos, estamos inseridos nesse contexto da transformação universal, seja a transformação do corpo físico, seja a transformação de nossa matéria mental. Nossos impulsos psíquicos devem também seguir a força gravitacional do progresso.

Tudo deve progredir.

A matéria do corpo físico se modifica, se transforma para dar lugar a uma nova etapa da vida. Nossas forças emocionais e psíquicas, nossos impulsos e tendências, que compõem a matéria de nossos pensamentos, também obedecerão às mudanças, direcionadas para a perfeição.

A transformação de tudo na esteira do espaço-tempo nos faz refletir sobre a transitoriedade tão necessária e tão justa para cada um de nós. Tudo, exatamente tudo, se modifica e se transforma, ganha aparências novas e condições que não esperávamos.

O que não muda, é que tudo muda. A Transitoriedade parece ser a lei mais sólida e imutável de nossas vidas.